Lá onde o vento faz a curva

Esse móvel veio de longe e estava velhinho e triste. Ele foi comprado numa loja de móveis usados, no interior de São Paulo, e já serviu para guardar mantimentos; mais tarde, para guardar roupa de cama. E, de onde veio mesmo, não sei, talvez mesmo de um lugar bem distante, onde o vento faz a curva.

De uns tempos para cá, dei para pensar nele na sala, com um gramofone e um espelho logo acima, e resolvi pintá-lo. Então comprei tintas para grafite, coloquei decalques, copiei poemas de poetas que admiro, coloquei decalques, usei pincéis, escova de lavar roupa, tintas spray, uma fórmica no tampo, e adorei o resultado.

Não, depois desse trabalho todo, não resolvi deixá-lo na rua para chamar a atenção, foi só para fazer as fotos mesmo. Ele está na minha sala, com um gramofone em cima e um espellho logo atrás. Quem disse que a renovação não pode deixar um móvel ainda mais lindo do que no estado original?

(Fotos: Sílvia de Souza)

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