Ronald Scliar Sasson: inspiração nórdica

Jovem, simples, dono de um desenho enxuto e moderno, Ronald Scliar Sasson une o o senso estético aprimorado nos anos de seu trabalho como artista plástico a uma apurada percepção das necessidades do mercado, numa mistura equilibrada de ângulos retos, formas suaves e proporções, muitas vezes, generosas.

MF. Em que momento da sua vida você se reconheceu como designer?

RS. Foi quando decidi desenhar alguns móveis para a minha casa, queria algo bem específico e fiz meus móveis em vergalhão galvanizado de construção civil, depois fui fazendo outra peça, e mais outra...Isso em 2003, hoje tem estúdio lançando móveis em vergalhão, eu já fiz isso há muito tempo.


MF. Você foi artista plástico por 12 anos. O que este fato acrescenta ao seu trabalho?

RS. Quando se trabalha com artes plásticas, você ganha domínio de equilíbrio e bom senso estético, que acabam sendo fundamentais no trabalho de um designer; o tempo em que trabalhei como artista plástico me ajudou muito mesmo, fundamentou minha profissão, pena que não tenho mais tempo para pintar, sinto muita falta.



MF. A aparente simplicidade do design nórdico é um dos pontos de partida para suas criações?

RS. Eles foram os inovadores mais autênticos do mobiliário contemporâneo de que se tem notícia. Hoje se faz muita coisa no Brasil como inovadora, que eles já faziam há décadas, sinto respeito pela classe e categoria como os nórdicos trabalham a madeira, eles foram e ainda são os verdadeiros gênios do móvel atual. Observo o trabalho deles até hoje e me espelho em suas criações. MF. Você pode dizer que o banco Luzia, Bronze no A'Design and Competition 2012, também premiado no Idea Brasil 2013 e no IFDesign Awards 2014, é um marco na sua carreira? RS. De fato, o banco teve muita aceitação nacional e internacional, tenho muitas peças nessa leitura estética, que servem bem à prática comercial, porém o banco foi além, por ser uma escultura; aliás, as poltronas e os bancos possuem uma característica de ganhar personalidade própria que os outros móveis não têm, imagino que seja pelo contato humano mais próximo do ato de sentar, quase uma simbiose. Não é à toa que as peças mais famosas de todos os designers acabam sendo bancos ou poltronas. MF. Qual é o seu maior prazer ao finalizar o desenho de um móvel? RS. Nem todas as peças dão prazer quando finalizadas, algumas irão servir à venda e decoração, outras ganham vida. Na verdade, as que têm que ganhar vida já saem do papel assim, como se elas pedissem para serem executadas, os projetos mais fáceis e simples acabam sendo os mais prazerosos. MF. Ao longo de sua carreira, em algum momento você pensou em desistir? RS. Penso todos os dias (risos), é um mundo de vaidades e competição extremas, que foge do seu propósito artístico. No entanto, o prazer de fazer o que faço é maior e continuo sempre. MF. O poeta Paulo Leminski, também curitibano, dizia que pinheiro não se transplanta. Você acabou se mudando de Curitiba... RS. Sim, acabei fazendo isso, moro em Gramado há sete anos, para ficar ficar mais próximo das indústrias dessa região, porém sinto uma falta imensa de Curitiba e já estou tentando viabilizar alguns projetos lá e, quem sabe, voltar em breve. MF. Que conselho você daria aos jovens designers? RS. Decidam se querem ganhar dinheiro ou fazer arte, é muito difícil as duas coisas andarem juntas. E sempre escutem mais seu instinto do que o que o mercado pede. MF. Quais são as diretrizes para uma pesquisa de mercado num mundo tão saturado de novidades? Como saber exatamente o que o consumidor deseja? RS. Na verdade, a experiência acaba ajudando neste processo, você observa e analisa imagens e aspectos que outros que não são designers ou artistas talvez não vejam. Porém, trazer isso à tona, transformar em realidade é que é o maior desafio. E, muitas vezes, acaba esbarrando numa ideia já existente, tem muita gente criando e pensando as mesmas coisas.


MF. Simplicidade, acima de tudo? Na vida pessoal e profissional?

RS. Sim, sou realmente família e bem simples, gosto de sentar em algum lugar e tomar um café mais do que qualquer outro programa.

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