Casa Cor Goiás - 2017




E, para celebrar o retorno à simplicidade já prevista pela trendsetter Li Edelkoort há alguns anos, o tema da Casa Cor é justamente o foco no essencial. E deve ser por isso que gostei tanto. Tudo muito mais aconchegante, sem muita frescura e com muita, muita leveza, a começar pelo jardim da entrada, sem muitos elementos, com vasões gigantes vermelhos e as grandes bolas brancas dos postes de iluminação: simples e impactante. Falando em iluminação, ela literalmente "brilhou" nesta Casa Cor. Luminárias e arandelas ultra originais, lindas, moderníssimas, com o melhor do design de iluminação.


Sem deixar de lado o aconchego, muito pelo contrário, a Casa Nômade de Cláudia Zuppani, trouxe o conceito da casa transportável, com uma simplicidade confortável e sofisticada (não, simplicidade e sofisticação não são antônimos, de jeito nenhum). Aliás, o nomadismo já apareceu depois na Casa Cor SP e marca presença no Fuori Salone, em Milão. Daí, que amei aquele teto vermelho, aqueles cobogós incríveis, a cama enorme (quero aquela cama, já!) e a arte inspirada de Fabiana Queiroga. E quem tem uma arara e um mancebo como aquele não precisa de mais nada. Acredito piamente que roupas demais só atrapalham e deixam a gente em dúvida na hora de vestir. O espaço é muito mais que suficiente para morar muuuito bem. Como já concluiu a esperta Danuza Leão, que deixou um apartamentão para morar num bem localizado dois quartos, não se precisa de muito espaço para viver. Único luxo da sabida: cabides iguais que, segundo ela, não são luxo, mas necessidade. Em tempo, meu espelho LAURA ficou "em casa" naquele banheiro. E aquele sofazão-daquinãosaio-daquininguémmetira, do Sergio Rodrigues?


, Observei também a unidade entre os ambientes (claro, há exceções), e até mesmo o dourado luxuoso do banheiro público feminino do estreante Eduardo Medeiros foi equilibrado pela economia de elementos. Vencedor do Prêmio Jovem Profissional, promovido pela Aldeia Acabamentos, ele mostrou a que veio, numa acertadíssima inspiração de Magritte. Genésio Maranhão também acertou (como sempre) com o seu Loft For Me, funcional/lindo/moderno/clássico e aquela parede cheia de obras de arte muitíssimo bem escolhidas. Camas box à parte, quem não tem um desejo nada obscuro por uma cama de ferro? Hein?


E quem não quer se refugiar naquela pérgola pontuada de azul, cor-unanimidade (nunca, nesses anos todos, ouvi alguém dizer que não gosta de azul)? Ou se perder pelo corredor de Pedro Paulo e Thiago? Ou se esconder no lindo Recanto da Sibipiruna, com aquele incrível jardim vertical e o laguinho com peixinhos coloridos? Ou tecer conversas agradáveis com os amigos na Cave Vinho&Bar? Ou se encantar com a sabedoria de Cora Coralina, na Sala de Cora, onde me deparei com aquela cadeira pendurada por laços trançados iguaizinhos aos que meu avô fazia, com tiras de couro curtido? Como não ter um caso de amor com aquela brinquedoteca? E como não querer dormir com a janela aberta para ver aquela plotagem da vista noturna de Goiânia? E reunir os amigos na cozinha dos amigos? E parar o tempo no banho do tempo? E se deixar seduzir pela Casa do Boi, com aquelas obras lindas by Leo Romano e Iêda Jardim (Gente, que tapete é aquele?! E olha a Jangada aí de novo! Aquela que Enock Sacramento citou em livro e no depoimento do 1º CADB)? E cobiçar aquele verde, mesas, cadeiras, banco e azulejos da Trattoria Moderna? E aquele ambiente com as fotos maravilhosas do Gabriel Wickbold?


Ih, coisas demais, tantas que nem dá para mencionar todas. Fui três vezes (uma delas rapidamente) e acho que ainda sobrou muito para olhar. Então, puxando pela memória: uma composição bacana de espelho geométrico e iluminação seguindo as mesmas linhas, em um lavabo; loja-conceito e aquela outra, com nichos em forma de colméia; paginação de piso e parede em chevron, com um tapete floral liiiindo; espaço de relaxamento bem bacana; uma cadeira de dependurar em acrílico, com abraçadeiras de plástico preto, lembrando um ouriço (enlouqueci!); o charme eterno de Fornasetti em uma almofada; jardim com buxinhos e bromélias; um banco em forma de basset; balcão formado por pedras, gaiolas de madeira e peles aqui e ali; sala dedicada à imprensa, com um sofá confortável (testei) combinando com a cor da parede; poltronas com banquetas na frente (em veludo?); uma varanda rustiquinha, com cadeiras feitas com galhos; um ambiente cheio de saudade, com uma imagem de Vidas Secas (que já li, reli, estudei e mencionei inúmeras vezes!); um foyer com um tapete escandalosamente lindo...Evandro Soares, Neguinha, Homero, Mateus Dutra, Hal Wildson, Marcelo Henrique, Solá, Carlos Sena, Fabiana Queiroga, Santhiago Selon, Marcus Camargo e tantos outros artistas da melhor qualidade. Além de tudo, a arquitetura art déco do antigo Grupo Escolar Modelo, onde estudei há séculos. Pena não ser boa fotógrafa (e não sei por que algumas estão grandonas, tentei diminuir e não consegui) para retratar comme il faut tanta boniteza. Não foi ainda? Vá correndo!




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